Campo Grande/MS
ATLAS DA VIOLÊNCIA
06 junho 2019 - 17h43Por Lívia Machado e Joel Silva

Atlas da Violência revela crescimento no número de pessoas assassinadas com armas de fogo

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Foram divulgados ontem os números do Atlas da Violência de 2019, produzido pelo Instituto de Pesquisa Economia Aplicada e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os dados indicam que o número de pessoas assassinadas com armas de fogo cresceu 6,8% entre 2016 e 2017. 


O aumento das mortes por disparos acompanha a tendência no número total de homicídios. Em 2017, mais de 65 mil pessoas foram mortas no Brasil, sendo que 47 mil foram por tiros.

Entre 1980 e 2017, quase um milhão de brasileiros foram vítimas de disparos. Para a equipe responsável pelo Atlas da Violência, o número seria ainda pior se, em 2013, não tivesse sido aprovado o Estatuto do Desarmamento.

Desde que a lei do Estatuto do Desarmamento foi promulgada, a taxa média de crescimento anual de mortes por armas é de 0,85% - queda brusca em relação aos 14 anos anteriores à lei, quando o índice era de 5,44%.

A indicação é que o Estatuto quebrou uma tendência e que poderia ter sido acompanhada por outros fatores de cunho macroeconômico e/ou demográfico.

Na contramão do Estatuto do Desarmamento, o número de armas em posse de civis só aumenta desde 2017. Até abril de 2019 o índice de registros para as posses de armas concedidas pela Polícia Federal teve alta de 10% em relação a 2018.

O Atlas da Violência foi assinado por 13 pesquisadores e elaborado com registros oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. A divulgação do relatório aconteceu nesta quarta na sede do Ipea, no Centro do Rio.  

Em um recorte regional, o Atlas da Violência mostra a diminuição do número de homicídios no Sudeste e no Centro-Oeste, uma estabilidade no Sul e um aumento acentuado nas regiões Norte e Nordeste. A disparidade é explicada pelos pesquisadores como resultado de uma nova disputa por poder e território que envolve as duas maiores facções do país e o mercado das drogas.

 

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