Campo Grande/MS
SEM EXPLICAÇÕES
24 junho 2019 - 08h31Por Lívia Machado, Joel Silva

Novos diálogos atribuídos a Moro e procuradores sugerem articulação para apoiar Moro em tensões com STF, segundo jornal.

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Novas mensagens atribuídas ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da República Deltan Dallagnol sugerem que, em 2016, membros da operação Lava-Jato se articularam para proteger Moro e evitar tensões com o Supremo Tribunal Federal. Os diálogos foram publicados neste domingo pelo jornal Folha de São Paulo, em parceria com o site ‘The Intercept Brasil’.

A ‘Folha’ afirma que se tentava “evitar que a divulgação de papéis encontrados pela Polícia Federal na casa de um executivo da Odebrecht acirrasse o confronto com o STF ao expor indevidamente dezenas de políticos que tinham direito a foro especial - e que só podiam ser investigados com autorização da corte.”

O jornal diz que os supostos diálogos “sugerem que o incidente foi causado por um descuido da Polícia Federal no dia 22 de março de 2016, quando ela anexou os documentos da Odebrecht aos autos de um processo da Lava Jato sem preservar seu sigilo, o que permitiu a divulgação do material por um blog mantido pelo jornalista Fernando Rodrigues”.

Os supostos diálogos indicam que, “assim que soube, no dia seguinte, Moro escreveu ao procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, para reclamar da polícia e avisar que acabara de impor sigilo aos papéis”.
Segundo a Folha, Moro teria dito que colocou "sigilo 4 no processo", e que a atitude da Polícia Federal foi "tremenda bolas nas costas" e que não vê alternativa senão remeter o processo do marqueteiro do PT, João Santana ao STF. E que a atitude da PF "vai parecer afronta":

A reportagem relata ainda um diálogo em que Moro afirmou que temia pressões para que sua atuação fosse examinada pelo Conselho Nacional de Justiça. Deltan sugeriu que tentaria apressar uma das denúncias da Lava Jato para permitir que o caso fosse encaminhado ao STF já com os acusados e crimes definidos na denúncia.

Em nota, Sérgio Moro afirmou que não confirma a autenticidade de mensagens obtidas de forma criminosa e que podem ter sido editadas ou adulteradas total ou parcialmente. 

Também declarou que "causa revolta que se tente construir um enredo com mensagens, cuja autenticidade não se pode reconhecer, a partir de fatos que envolvem um processo judicial público e que só atestam a correção e isenção com que o ministro atuou enquanto juiz federal na Operação Lava Jato". 

Ontem pela manhã, o ministro Sérgio Moro publicou numa rede social uma frase em latim que diz, traduzida, “a montanha pariu um rato”. 


A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba foi procurada e não se manifestou.

 

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